Os acordos abrangem as áreas da formação artística, cinema, projecto “Rota de Escravo”, produção literária, património arquitectónico, biblioteca, arquivos e no domínio dos museus.
No domínio da formação artística, Angola manifestou interesse na contratação de professores cubanos para leccionarem no ensino médio, nos cursos de artes plásticas, dança, música e teatro. No domínio do cinema, as partes concordaram em co-produção de ficção e documentário sobre a luta de libertação nacional.
A participação de filmes angolanos no Festival Internacional do Novo Cinema Latino Americano, a recuperação do acervo filmográfico angolano, a formação de quadros na Escola Internacional de Cinema e Televisão San Antonio de Los Baños (EICTV), em Havana, e amostras de cinema de ambos os países constam, também, dos acordos sobre cinema.
Para o projecto “Rota de Escravo” prevê-se a troca de conferencistas, de exposições e de documentação, bem como a publicação de sínteses sobre o tráfico de escravos entre Angola e Cuba.
Os governantes assinaram um protocolo de colaboração entre o Museu da Escravatura de Angola e a sua congénere de Cuba “Fundação Fernando Ortiz”, no âmbito do projecto “Rota dos Escravos”.
A elaboração, em breve, de uma antologia de escritores angolanos, em espanhol, para lançamento, em Fevereiro de 2011, na Feira do Livro que acontece em Havana, é o que as partes acordaram no domínio da produção literária.
A vinda ao país do historiador cubano Eusébio Leal, para realizar conferências sobre a preservação dos centros históricos das cidades de Angola, tendo como exemplo a preservação do património edificado da cidade de Havana, consta dos acordos sobre património arquitectónico.
Acordos no domínio da biblioteca estabelecem que técnicos angolanos frequentem estágios em Cuba, o incremento do intercâmbio de informações bibliográficas, assim como formações de bibliotecários.
O Ministério da Cultura manifestou, ainda, interesse em enviar técnicos para a área dos Arquivos, no sentido de obterem formação em restauro de documentação e, finalmente, no domínio dos museus as partes concordaram em cooperar na formação de quadros na área de museologia.
Governantes satisfeitosO ministro da Cultura de Cuba, Abel Pietro Jimenez, mostrou-se satisfeito pelo relançamento da cooperação cultural entre Angola e Cuba, e considerou a assinatura dos acordos como um momento muito estimulante.
Abel Pietro Jimenez disse que, ao visitar Angola, aproveitou bem as diferentes etapas da sua estadia que foi bastante intensa devido aos trabalhos que permitiram elaborar projectos concretos “que respeitam a vontade política entre os dois povos”.
O ministro cubano Abel Jimenez corroborou com a ministra Rosa Cruz e Silva, que havia dito que as relações tinham registado um certo afrouxamento.
“Este documento converte-se numa via para o relançamento das relações entre Angola e Cuba em todos os campos das letras e da Cultura, expressos nestes acordos”, afirmou Abel Pietro Jimenez, reconhecendo a capacidade prática da sua homóloga. Para a ministra Rosa Cruz e Silva, a presença do governante cubano permitiu revisitar vários temas da cultura e obter ideias frutíferas e inovadoras sobre diferentes assuntos de que “não tínhamos ideia para a solução de alguns problemas, mas a experiência de Cuba nos dá ideias de como ultrapassar as barreiras”, disse a governante.
Rosa Cruz e Silva garantiu ultrapassar os desafios que possam surgir no sentido de se transformar os acordos assinados em actos, numa cerimónia presenciada pelo vice-ministro da Cultura, Cornélio Caley, directores nacionais e funcionários da instituição, assim como representantes da delegação cubana e representantes do corpo diplomático de Cuba em Angola, com destaque para o seu embaixador, Pedro Ross Leal.
in Jornal de Angola , 30 de Abril de 2010